O estoicismo e a lógica como caminho para a felicidade

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Por meio da lógica estoica, entendemos a realidade e podemos afastar reações emocionais desagradáveis (fonte da foto)

Por Guilherme Galanti

Todos nós estamos vivos, isto é um fato inegável para qualquer um. Do mesmo modo, todos iremos morrer; este, por decorrência do primeiro, também é um fato inegável. Entre os extremos, temos o curto tempo de nossa vida, no qual podemos contemplar e experimentar o ato de estarmos vivos.

A experiência de viver é muito confusa para nossa mente, e a necessidade de morrer é mordaz pela sua inflexibilidade, levando a uma enxurrada de questionamentos sobre a existência e seu objetivo. Estes questionamentos, assim como possíveis respostas, são o coração pulsante de qualquer religião ou filosofia de vida.

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Era Spock um estoico?

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O Diretório Vulcano de Ciência classificou este post como “pouco ortodoxo, mas recomendável” (fonte da foto)

Por Donato Ferrara

Em 8 de setembro de 1966 estreava na televisão norte-americana a série Jornada nas Estrelas, idealizada pelo roteirista Gene Roddenberry. Ambientada em meados do século XXIII, trazia em cada episódio as aventuras da tripulação da espaçonave USS Enterprise, parte da frota da Federação dos Planetas Unidos. Apesar do pano de fundo pluriplanetário, todos os subordinados do capitão James T. Kirk (William Shatner) eram humanos, à exceção de um único personagem. Era este uma figura de orelhas pontudas, sobrancelhas alçadas e tez ligeiramente amarelada — pois fora essa a solução encontrada pela equipe de maquiagem da Desilu Productions para dar ares alienígenas ao ator Leonard Nimoy. Com o prosseguimento da série, o público ficou sabendo que Spock, a criatura que ocupava o posto de Primeiro Oficial e Oficial de Ciências, era um ser híbrido: filho do embaixador vulcano Sarek (Mark Lenard) e da humana Amanda Grayson (Jane Wyatt).

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“A essência do estoicismo” — Massimo Pigliucci*

© Direitos autorais reservados.

Traduzido e reproduzido com a permissão do autor (texto original).

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O ovo, antigo emblema da filosofia estoica: a casca era a lógica; a clara, a ética; a gema, a física (fonte da foto)

Apesar do título deste artigo, não acredito em essências. Ao menos não no sentido de que uma ideia ou objeto complexo possam ser reduzidos a uma essência. Evidente, a “essência” do elemento Ouro pode ser concebida como o fato de ter número atômico 79, no sentido de que, para que algo seja Ouro, é tanto necessário quanto suficiente que a coisa em questão seja feita de átomos com 79 prótons. De modo similar, a “essência” da figura geométrica Triângulo é que a soma de seus ângulos internos seja 180 graus.

Mas poucas outras coisas na vida ou na natureza são passíveis de definições concisas em termos de condições necessárias e conjuntamente suficientes, como Wittgenstein o demonstrou de modo célebre no caso enganosamente simples de “jogo”. Tente fornecer uma pequena quantidade de condições que tenham de ser satisfeitas para que uma atividade se configure enquanto “jogo” e que a separem de todos os “não jogos”, e logo você se perderá em um aglomerado sempre crescente de atividades “semelhantes-mas-ainda-assim-não-as-mesmas”, compartilhando aquilo a que Wittgenstein se referiu como uma parecença familiar [Familienähnlichkeit] — mas não uma essência.

Se jogos não têm essências, não a têm também conceitos mais complexos como teorias científicas ou sistemas filosóficos. Portanto, não: não lhes fornecerei uma resposta à pergunta “o que é, essencialmente, o estoicismo?”, simplesmente porque não há resposta para isso. Ou, melhor ainda, porque se trata de uma pergunta mal formulada, para início de conversa.

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