Os corpos e os incorpóreos no estoicismo

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A física estoica atribuía corporeidade à todas as coisas, mesmo à alma e às virtudes (fonte da foto)

Por Diogo da Luz

OS CORPOS

A física estoica diverge da ideia que se tem de física na contemporaneidade. Ela envolve, dentre outros, o estudo da interação entre corpos (sṓmata), sendo estes definidos como os que têm a capacidade de agir e de sofrer ação; há também a possibilidade de um corpo somente agir (como o lógos[1]) ou somente sofrer ação (como a matéria). Os corpos são os únicos entes que existem verdadeiramente, e interagem através da relação de causalidade.

Um exemplo de interação entre corpos pode ser encontrado em Sêneca. Segundo ele, o bem é um corpo, pois move e, de certa maneira, dá forma e conteúdo às almas. As almas são também corpos, visto que agem e são suscetíveis à ação. Desse modo, as virtudes são igualmente corpóreas, assim como as paixões e as doenças da alma. São corpóreas, por exemplo, tanto a inveja e a crueldade quanto a alegria e a sinceridade[2].

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