Sócrates, a lógica e o estoicismo

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Estátua de Sócrates à entrada da Moderna Academia de Atenas, obra de Drosis e Piccarelli (fonte da foto)

Por João Leite Ribeiro

Acredito que a leitura das Diatribes de Epicteto possa levar a enganos quanto ao estoicismo. Leva a uma supervalorização da coragem e, a seguir, a um caminho não estoico para obtê-la.

Me parece que a ideia central é manter a calma, sempre. O que é bom, mas esse sempre, sabemos que é privilégio do sábio. Epicteto era um homem de grande coragem (acredito que coragem para ele não era audácia, e sim fazer o melhor diante do perigo), e não é possível, para a maioria de nós, por meio de qualquer estudo que façamos, atingir a coragem dele.

De um modo geral a coragem pregada nas Diatribes me parece exagerada, tanto pelo fato de Epicteto ser muito viril, como pelo fato de ele me parecer um pouco eufórico.

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O que promete e o que requer de nós o estoicismo

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O que mais belo há no estoicismo é sua visão do Cosmos como um grande ser vivo (fonte da foto)

Por Aldo Dinucci*

Eu não sou sábio e (que tua maledicência seja satisfeita) não o serei. Exige de mim,  portanto, não que eu seja igual aos bons, mas unicamente melhor que os maus. Basta-me a cada dia cortar algum de meus vícios e refrear meus desvarios.

Essa citação é de Sêneca, em seu diálogo Da vida Feliz (XVII, 3) e trata-se de uma profissão socrática de ignorância. Como todos sabem, é princípio básico da sabedoria do Sócrates da Apologia de Sócrates, de Platão, a afirmação de que a sabedoria de todo humano é pouco ou nada se comparada à sabedoria divina. Ora, pra que serve dizer a si mesmo a cada dia que nada se sabe? Serve, creio eu, para evitar que se caia na ilusão de possuir portentosa sabedoria. Serve para ter bem claro na mente que todo conhecimento humano, o que inclui nossos estudos sobre estoicismo ou o que for, é uma aventura errante.

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