O Estoicismo é a língua universal

© Direitos autorais reservados.

Reproduzido com a permissão do autor (texto original).

rsz_bandeiras.png
O Estoicismo foi provavelmente a primeira corrente filosófica que reconheceu a igualdade entre todas as pessoas (fonte da foto)

Por Paula Trindade e Kai Whiting

O Estoicismo foi provavelmente a primeira corrente filosófica que reconheceu a igualdade entre todas as pessoas. Para os antigos estoicos, o caminho para a felicidade estaria aberto a todos, pelo simples facto de se ser um humano. Não dependia do género, da origem ou da cidadania. Mais ainda, os estoicos defenderam que qualquer pessoa poderia aceder ao bem-estar, inclusivamente se não possuísse saúde, riqueza ou um elevado nível de educação. Estas teorias ainda formam a base do conceito estoico de cosmopolitismo, assim como o da construção dos “círculos de preocupação”, concebidos pelo filósofo Hiérocles. O círculo interior representa o “eu”, ou seja, a si próprio. Os seguintes as ligações mais próximas, como a “família” e os “amigos”. Depois, chegamos aos círculos mais afastados, até atingirmos toda a humanidade. O que se pretende é uma reflexão sobre cada círculo até que se converta no primeiro, de que cada um faz parte. Ao fazê-lo, damos espaço para reconhecer toda a humanidade em nós próprios e a nós mesmos na humanidade inteira. Ao atuarmos desta forma, as diferenças entre as pessoas desaparecem, ao mesmo tempo que ganham força as características que temos em comum.

Continuar lendo “O Estoicismo é a língua universal”

A tese estoica da irmandade de todos os humanos

 

joel-jasmin-forestbird-506732-unsplash.jpg
Pelos círculos concêntricos de Hiérocles, reconhecemo-nos como parte de uma grande família humana (fonte da foto)

Por Aldo Dinucci*

Eu sonho que um dia, nos montes vermelhos da Georgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos donos de escravos serão capazes de sentar-se juntos à mesa da irmandade. (Martin Luther King)[1]

Devemos viver juntos como irmãos ou morrer juntos como tolos[2]. (Martin Luther King)

Após 1989, ano da queda do Muro de Berlim, fato que precedeu o fim da União Soviética e da Guerra Fria, era comum ouvir que “vivemos em uma aldeia global”. A tese da “aldeia global”, hoje superada pela pós-modernidade e caída no esquecimento, nos faz lembrar os ideais cosmopolitas dos estoicos. Para estes, vivemos em uma grande cidade cósmica, habitada por Deuses e humanos. Como nos diz o estoico Epicteto: “Não és tu humano? Parte da cidade: da primeira, dos Deuses e dos humanos, depois desta que é dita a mais próxima, que é uma pequena imitação da totalidade” (Diatribes 2.5.27[3]). A tese da irmandade de todos os humanos se desenrola com simplicidade a partir daí: se vivemos numa grande cidade universal dirigida pelos Deuses, e se os humanos são filhos dos Deuses, então os humanos são todos irmãos.

Continuar lendo “A tese estoica da irmandade de todos os humanos”