Lidando com uma crise existencial: a via estoica e a via budista

Como seixos à margem do rio, notamos o fluir de tudo (fonte da foto)

Por Donato Ferrara

Cerca de um ano atrás, fui acometido de uma estranha forma de pavor existencial. Foi algo abrupto, desafiando os meus hábitos mentais, que eu julgara fortificantes. Quase todos os dias eu costumava imaginar que a minha vida e a das pessoas com quem me importava eram finitas — e que nada de errado havia com esse fato da natureza.

O que eu pretendia era aumentar o meu apreço pelas coisas que tinha no aqui e no agora, evitando esperanças falsas.

A inspiração para minha rotina diária derivava-se principalmente das Meditações de Marco Aurélio. O imperador-filósofo insistia muito na natureza transitória da (sua própria) vida, fazendo uso de expedientes retóricos diferentes ao longo de seu diário filosófico. De acordo com ele, nós, humanos, somos como “grãos de incenso” (IV, 15) caindo um após outro sobre um altar comum; ao imaginar que você está morto neste preciso momento, você pode ver o resto de sua vida como um “bônus” (VII, 56); não há diferença entre morrer na velhice e morrer “antes do tempo” (IX, 32) etc. 

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