Quando a razão é insuficiente

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Muitos remédios que existem à nossa disposição podem dificultar-nos o uso da razão (fonte da foto)

Não, este blog não foi abandonado. Não tenho publicado por aqui com a mesma assiduidade do ano passado, mas isso não quer dizer que não venho dedicando-me a escrever nada. Aliás, neste momento há boa dúzia e meia de textos começados, ruminados e mal e mal remendados, entre meus rascunhos. Vejamos se nas próximas semanas eles vêm à luz.

A dificuldade que experimento se explica em parte por circunstâncias que me reduziram o tempo livre, em parte por algo a que eu poderia chamar “falta de inspiração”. E minha inspiração se estiolou, tudo me indica, em decorrência de um episódio que abalou muito de minha confiança como alguém que propõe a si mesmo e aos outros o estoicismo como filosofia de vida viável para os tempos de hoje. Acredito que escrever sobre tal episódio me permitirá entendê-lo melhor. É o que pretendo fazer nas linhas seguintes.

Antes, serei claro mais uma vez: não sou um estoico, mas alguém interessado no estoicismoProcuro, dentro de meu entendimento e forças, praticar certos aspectos da filosofia estoica em meu cotidiano, dando muita vez com os burros n’água. Se méritos tenho neste blog, é como intérprete, meio impertinente, dessa filosofia: tive a sorte de encontrá-la e de aprender a navegar pelos textos que aqui cito; quero partilhar com meus leitores algo da alegria, surpreendente e sempre renovada, que experimento ao ver uma boa porção da vida iluminada por escritores que viveram muitos séculos atrás. Desejo que os que me leem se beneficiem ainda mais das ideias do Pórtico do que eu mesmo, que realizem plenamente o ideal da vida estoica, distante de mim.

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Aviso

Caros leitores, estimadas leitoras:

Este blog está há algum tempo sem atualizações por uma conjunção de circunstâncias particulares que, por extensa, não convém explicar. Fato é que, desde o início do ano, tem-me faltado tempo livre e qualificado para escrever.

Como compensação pelo quase abandono deste espaço, eu vinha postando alguns vídeos em um canal do YouTube valendo-me das rebarbas de meu tempo disponível. Por fim, os vídeos, que nunca me agradaram muito, acabaram se tornando uma obrigação. E se há uma coisa de que não preciso em um momento como este é de uma obrigação adicional. De mais a mais, a experiência diante da câmera me revelou uma coisa preciosa: eu verdadeiramente prefiro escrever. Por isso, desativei o canal no YouTube.

Darei uma espanada no pó por aqui e haverá novos textos já no início de maio. O ritmo das postagens diminuirá, contudo — mas o bom é que a partir de agora, se tudo der certo, haverá postagens.

Agradeço-lhes a compreensão.

Abraços e fiquem bem.

Programação: III Colóquio Brasileiro sobre Epicteto

Devido a circunstâncias familiares (boas, aliás) e de outra sorte (de modo nenhum ruins), estou há algum tempo sem escrever aqui. Publicarei novos textos em breve. Enquanto isso, deixo-lhes a programação do III Colóquio Brasileiro sobre Epicteto, no qual apresentarei uma conferência.

Se alguém entre os que me leem quiser propor um tema para um post ou fazer uma pergunta (desde que eu saiba a resposta, claro), esteja à vontade para usar a caixa de comentários ou para entrar em contato comigo por meio da seção “Fale com o autor”.

Fiquem bem e até mais!

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“As mulheres estoicas, 2: Fânia” — Donald Robertson*

Copyright © Donald Robertson, 2017. Todos os direitos reservados.

Traduzido e reproduzido com a permissão do autor (texto original).

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“Leitura da sentença capital de Públio Clódio Trásea Peto”, tela de Fyodor Bronnikov (1827-1902) (fonte da foto)

Fânia integrava a “oposição estoica” a Nero, a qual era liderada por seu pai, o herói político estoico Trásea, em conjunto com seu marido, o celebrado Helvídio Prisco. Ela viveu durante o reinado de Nero e morreu por volta de 103 d. C., sob Trajano. Na tela de Fyodor Bronnikov intitulada “Leitura da sentença capital de Públio Clódio Trásea Peto”, ela é retratada presumivelmente como uma das mulheres que consolam o pai, Trásea.

Era neta de uma romana célebre chamada Árria Maior, da qual relatou a seguinte história para Plínio, o Jovem. O esposo de Árria, Aulo Cecina Peto, recebera ordem de cometer suicídio da parte do imperador Cláudio pela participação que tivera em uma rebelião. Ele não teve coragem de tirar a própria vida, e então Árria tirou-lhe a adaga das mãos, apunhalou-se a si própria e devolveu-a, dizendo ao marido: “Não dói, Peto!” [Non dolet, Paete.].

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“As mulheres estoicas, 1: Pórcia” — Donald Robertson*

Copyright © Donald Robertson, 2013. Todos os direitos reservados.

Traduzido e reproduzido com a permissão do autor (texto original).

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Pórcia fere a própria coxa para pôr-se à prova em tela de Elisabetta Sirani (1638-1665) (fonte da foto)

Pórcia (Porcia Catonis) era a filha de Catão de Útica — Catão, o Jovem —, o grande herói estoico da República romana. Pouco sabemos a seu respeito, a não ser algumas anedotas de autenticidade histórica duvidosa. Contudo, ela aparece sendo retratada como uma mulher estoica, devotada à filosofia, seguindo os passos de seu pai renomado.

Ela viveu no primeiro século antes de nossa era, várias gerações antes dos estoicos romanos do período imperial cujas obras sobrevivem ainda hoje: Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio. Foi contemporânea de Cícero e do estoico Posidônio de Rodes. Casou-se com Marco Júnio Bruto, um político e filósofo romano, também influenciado pelo estoicismo, que foi o principal assassino do tirano Júlio César. A mãe de Bruto era meio-irmã de Catão, o Jovem, o qual desse modo era tanto tio como, mediante o casamento com Pórcia, se fizera sogro de Bruto.

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Era Spock um estoico?

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O Diretório Vulcano de Ciência classificou este post como “pouco ortodoxo, mas recomendável” (fonte da foto)

Em 8 de setembro de 1966 estreava na televisão norte-americana a série Jornada nas Estrelas, idealizada pelo roteirista Gene Roddenberry. Ambientada em meados do século XXIII, trazia em cada episódio as aventuras da tripulação da espaçonave USS Enterprise, parte da frota da Federação dos Planetas Unidos. Apesar do pano de fundo pluriplanetário, todos os subordinados do capitão James T. Kirk (William Shatner) eram humanos, à exceção de um único personagem. Era este uma figura de orelhas pontudas, sobrancelhas alçadas e tez ligeiramente amarelada — pois fora essa a solução encontrada pela equipe de maquiagem da Desilu Productions para dar ares alienígenas ao ator Leonard Nimoy. Com o prosseguimento da série, o público ficou sabendo que Spock, a criatura que ocupava o posto de Primeiro Oficial e Oficial de Ciências, era um ser híbrido: filho do embaixador vulcano Sarek (Mark Lenard) e da humana Amanda Grayson (Jane Wyatt).

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