“As mulheres estoicas, 2: Fânia” — Donald Robertson*

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“Leitura da sentença capital de Públio Clódio Trásea Peto”, tela de Fyodor Bronnikov (1827-1902) (fonte da foto)

Fânia integrava a “oposição estoica” a Nero, a qual era liderada por seu pai, o herói político estoico Trásea, em conjunto com seu marido, o celebrado Helvídio Prisco. Ela viveu durante o reinado de Nero e morreu por volta de 103 d. C., sob Trajano. Na tela de Fyodor Bronnikov intitulada “Leitura da sentença capital de Públio Clódio Trásea Peto”, ela é retratada presumivelmente como uma das mulheres que consolam o pai, Trásea.

Era neta de uma romana célebre chamada Árria Maior, da qual relatou a seguinte história para Plínio, o Jovem. O esposo de Árria, Aulo Cecina Peto, recebera ordem de cometer suicídio da parte do imperador Cláudio pela participação que tivera em uma rebelião. Ele não teve coragem de tirar a própria vida, e então Árria tirou-lhe a adaga das mãos, apunhalou-se a si própria e devolveu-a, dizendo ao marido: “Não dói, Peto!” [Non dolet, Paete.].

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“As mulheres estoicas, 1: Pórcia” — Donald Robertson*

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Pórcia fere a própria coxa para pôr-se à prova em tela de Elisabetta Sirani (1638-1665) (fonte da foto)

Pórcia (Porcia Catonis) era a filha de Catão de Útica — Catão, o Jovem —, o grande herói estoico da República romana. Pouco sabemos a seu respeito, a não ser algumas anedotas de autenticidade histórica duvidosa. Contudo, ela aparece sendo retratada como uma mulher estoica, devotada à filosofia, seguindo os passos de seu pai renomado.

Ela viveu no primeiro século antes de nossa era, várias gerações antes dos estoicos romanos do período imperial cujas obras sobrevivem ainda hoje: Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio. Foi contemporânea de Cícero e do estoico Posidônio de Rodes. Casou-se com Marco Júnio Bruto, um político e filósofo romano, também influenciado pelo estoicismo, que foi o principal assassino do tirano Júlio César. A mãe de Bruto era meio-irmã de Catão, o Jovem, o qual desse modo era tanto tio como, mediante o casamento com Pórcia, se fizera sogro de Bruto.

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“A essência do estoicismo” — Massimo Pigliucci*

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O ovo, antigo emblema da filosofia estoica: a casca era a lógica; a clara, a ética; a gema, a física (fonte da foto)

Apesar do título deste artigo, não acredito em essências. Ao menos não no sentido de que uma ideia ou objeto complexo possam ser reduzidos a uma essência. Evidente, a “essência” do elemento Ouro pode ser concebida como o fato de ter número atômico 79, no sentido de que, para que algo seja Ouro, é tanto necessário quanto suficiente que a coisa em questão seja feita de átomos com 79 prótons. De modo similar, a “essência” da figura geométrica Triângulo é que a soma de seus ângulos internos seja 180 graus.

Mas poucas outras coisas na vida ou na natureza são passíveis de definições concisas em termos de condições necessárias e conjuntamente suficientes, como Wittgenstein o demonstrou de modo célebre no caso enganosamente simples de “jogo”. Tente fornecer uma pequena quantidade de condições que tenham de ser satisfeitas para que uma atividade se configure enquanto “jogo” e que a separem de todos os “não jogos”, e logo você se perderá em um aglomerado sempre crescente de atividades “semelhantes-mas-ainda-assim-não-as-mesmas”, compartilhando aquilo a que Wittgenstein se referiu como uma parecença familiar [Familienähnlichkeit] — mas não uma essência.

Se jogos não têm essências, não a têm também conceitos mais complexos como teorias científicas ou sistemas filosóficos. Portanto, não: não lhes fornecerei uma resposta à pergunta “o que é, essencialmente, o estoicismo?”, simplesmente porque não há resposta para isso. Ou, melhor ainda, porque se trata de uma pergunta mal formulada, para início de conversa.

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“Como o estoicismo me ajudou a superar a depressão” — Andrew Overby*

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A sabedoria estoica pode ser uma luz no fim do túnel (fonte da foto)

No princípio, todos queremos mudar o mundo. Os depressivos apegam-se a este impulso por mais tempo que a maioria, acho, e desse modo, quando se dá a constatação inevitável de que não se pode fazê-lo, “a ficha desaba” com peso maior.

A constatação de que cada um de nós não passa de um ator no palco global, e não seu principal arquiteto, é uma daquelas mudanças de consciência significativas, mas possivelmente sutis, que separam certos aspectos da juventude daqueles da idade adulta — tamanho é o seu efeito. Trata-se, talvez, de um dos primeiros resvalos da inteligência nas limitações humanas.

Os que têm propensões ao perfeccionismo e ao sonhar grande podem ser fortemente afetados por isso. Ser a um só tempo um sonhador diuturno e alguém que sabe que seus sonhos de mudar o mundo — ao influenciarem aquilo que se percebe como um destino ou uma força de vontade próprios — são extremamente improváveis de verificar-se é um convite para a visita do pensamento deprimente.

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“Crescendo como estoico: Uma educação filosófica voltada para o caráter, a persistência e a garra” — Leah Goldrick*

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Instilar nas crianças um senso de nobreza pode protegê-las de erros que embaraçam a vida (fonte da foto)

A verdade desagradável é que muitos estudantes ao redor do mundo jamais receberão nenhum tipo que seja de educação filosófica. Em geral, a filosofia é vista como um exercício inútil, reservado a eruditos em suas torres de marfim. A inclusão dessa matéria nos currículos das crianças em idade de escola primária é rara, especialmente nos Estados Unidos, e alguns acadêmicos questionam se pré-adolescentes têm mesmo a capacidade de investigação filosófica.

Essa asserção baseia-se provavelmente na premissa de que a filosofia é, em última análise, mais teórica do que prática. Ela negligencia o potencial que pais e responsáveis argutos têm de ensinar a crianças pequenas como uma perspectiva filosófica pode tornar suas vidas felizes e providas de significado.

Onde os pais podem encontrar um roteiro de aprendizado capaz de ajudar as crianças a desenvolver um caráter forte e lidar com os desafios que a vida inevitavelmente lhes lançará no caminho? E se a fórmula em questão for algo já existente e capaz de apresentar as crianças pequenas à filosofia dentro de casa, por meio de atividades práticas e do diálogo?

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“Os votos do estoico” — Massimo Pigliucci*

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Zenão

Nota do tradutor: O texto que se lê a seguir é a tradução de um original (“The Stoic Pledge”) escrito por Massimo Pigliucci no qual se formulam certos princípios que o aspirante estoico à sabedoria (o prokópton) deveria ter sempre em mente. Embora voltado a pessoas que estejam há mais tempo praticando o estoicismo (é observação do próprio autor), creio que qualquer um possa tirar proveito destes votos, a serem periodicamente enunciados e renovados de si para si. Cada um pode tomar a liberdade de adicionar ou suprimir votos, se assim o quiser, ou suplementar os já existentes com citações que lhe falem mais de perto. Eu, por exemplo, criei a minha própria versão deste juramento, acrescentando itens que tratam da necessidade de se evitar a ira, de ver-se como parte do cosmos e de meditar cotidianamente na morte. Conheçam-se a si próprios e divirtam-se! 

Como prokópton comprometo-me a seguir estes preceitos e regras de conduta:

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“Honestidade nos negócios: Um experimento estoico” — Jacob Henricson*

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“Fale a verdade, ainda que sua voz fique trêmula” (fonte da foto)

Um dia decidi parar de mentir. Não me entendam mal: jamais tinha eu sido um grande mentiroso em minha vida pregressa, mas decidi — tanto quanto permitia a minha capacidade — não mentir de jeito nenhum. Defini algumas regras para casos limítrofes: por exemplo, evitar ou guardar para mim uma verdade quando os efeitos de proferi-la sejam prejudiciais a mim ou a outra pessoa (“fico bem com este vestido?”) é aceitável, mas não o é dizer uma mentira diretamente, por menor que seja.

O ímpeto para esta medida drástica surgiu com o meu interesse por levar uma vida estoica. Comecei recentemente, há cerca de um ano, quando minha atenção foi desperta pela simples citação de Epicteto:

Os seres humanos são perturbados não pelas coisas, mas pelos princípios e noções que formam a respeito delas. [Manual, 5.a]

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