Por que não sou cético

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Do que podemos ter certeza em nossa busca pela tranquilidade? (fonte da foto)

Por João Leite Ribeiro

Diógenes Laércio dizia: “Os filósofos céticos passavam seu tempo destruindo os dogmas de outras escolas e não estabelecendo nenhum que fosse seu próprio”.

Esse ponto de vista é interessante. Transpondo da discussão filosófica para nossa vida, quantos dogmas já não criamos, os quais na verdade eram falsos? Se formos ser rigidamente lógicos, não será necessária a conclusão de que tudo é duvidoso? E , a partir daí, ao concluirmos que nada podemos concluir, não nos traria isso uma despreocupação, uma ausência de dúvidas que nos traria paz?

Pelo ceticismo chegaremos, diz Sexto Empírico “primeiro à suspensão do juízo, depois à ataraxia”.

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Quando a razão é insuficiente

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Muitos remédios que existem à nossa disposição podem dificultar-nos o uso da razão (fonte da foto)

Não, este blog não foi abandonado. Não tenho publicado por aqui com a mesma assiduidade do ano passado, mas isso não quer dizer que não venho dedicando-me a escrever nada. Aliás, neste momento há boa dúzia e meia de textos começados, ruminados e mal e mal remendados, entre meus rascunhos. Vejamos se nas próximas semanas eles vêm à luz.

A dificuldade que experimento se explica em parte por circunstâncias que me reduziram o tempo livre, em parte por algo a que eu poderia chamar “falta de inspiração”. E minha inspiração se estiolou, tudo me indica, em decorrência de um episódio que abalou muito de minha confiança como alguém que propõe a si mesmo e aos outros o estoicismo como filosofia de vida viável para os tempos de hoje. Acredito que escrever sobre tal episódio me permitirá entendê-lo melhor. É o que pretendo fazer nas linhas seguintes.

Antes, serei claro mais uma vez: não sou um estoico, mas alguém interessado no estoicismoProcuro, dentro de meu entendimento e forças, praticar certos aspectos da filosofia estoica em meu cotidiano, dando muita vez com os burros n’água. Se méritos tenho neste blog, é como intérprete, meio impertinente, dessa filosofia: tive a sorte de encontrá-la e de aprender a navegar pelos textos que aqui cito; quero partilhar com meus leitores algo da alegria, surpreendente e sempre renovada, que experimento ao ver uma boa porção da vida iluminada por escritores que viveram muitos séculos atrás. Desejo que os que me leem se beneficiem ainda mais das ideias do Pórtico do que eu mesmo, que realizem plenamente o ideal da vida estoica, distante de mim.

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Aviso

Caros leitores, estimadas leitoras:

Este blog está há algum tempo sem atualizações por uma conjunção de circunstâncias particulares que, por extensa, não convém explicar. Fato é que, desde o início do ano, tem-me faltado tempo livre e qualificado para escrever.

Como compensação pelo quase abandono deste espaço, eu vinha postando alguns vídeos em um canal do YouTube valendo-me das rebarbas de meu tempo disponível. Por fim, os vídeos, que nunca me agradaram muito, acabaram se tornando uma obrigação. E se há uma coisa de que não preciso em um momento como este é de uma obrigação adicional. De mais a mais, a experiência diante da câmera me revelou uma coisa preciosa: eu verdadeiramente prefiro escrever. Por isso, desativei o canal no YouTube.

Darei uma espanada no pó por aqui e haverá novos textos já no início de maio. O ritmo das postagens diminuirá, contudo — mas o bom é que a partir de agora, se tudo der certo, haverá postagens.

Agradeço-lhes a compreensão.

Abraços e fiquem bem.

Programação: III Colóquio Brasileiro sobre Epicteto

Devido a circunstâncias familiares (boas, aliás) e de outra sorte (de modo nenhum ruins), estou há algum tempo sem escrever aqui. Publicarei novos textos em breve. Enquanto isso, deixo-lhes a programação do III Colóquio Brasileiro sobre Epicteto, no qual apresentarei uma conferência.

Se alguém entre os que me leem quiser propor um tema para um post ou fazer uma pergunta (desde que eu saiba a resposta, claro), esteja à vontade para usar a caixa de comentários ou para entrar em contato comigo por meio da seção “Fale com o autor”.

Fiquem bem e até mais!

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“As mulheres estoicas, 2: Fânia” — Donald Robertson*

Copyright © Donald Robertson, 2017. Todos os direitos reservados.

Traduzido e reproduzido com a permissão do autor (texto original).

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“Leitura da sentença capital de Públio Clódio Trásea Peto”, tela de Fyodor Bronnikov (1827-1902) (fonte da foto)

Fânia integrava a “oposição estoica” a Nero, a qual era liderada por seu pai, o herói político estoico Trásea, em conjunto com seu marido, o celebrado Helvídio Prisco. Ela viveu durante o reinado de Nero e morreu por volta de 103 d. C., sob Trajano. Na tela de Fyodor Bronnikov intitulada “Leitura da sentença capital de Públio Clódio Trásea Peto”, ela é retratada presumivelmente como uma das mulheres que consolam o pai, Trásea.

Era neta de uma romana célebre chamada Árria Maior, da qual relatou a seguinte história para Plínio, o Jovem. O esposo de Árria, Aulo Cecina Peto, recebera ordem de cometer suicídio da parte do imperador Cláudio pela participação que tivera em uma rebelião. Ele não teve coragem de tirar a própria vida, e então Árria tirou-lhe a adaga das mãos, apunhalou-se a si própria e devolveu-a, dizendo ao marido: “Não dói, Peto!” [Non dolet, Paete.].

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