Epicteto, Diatribes 1.12: Sobre seguir os Acontecimentos e Amor fati

Epicteto, Diatribes 1.12: Sobre seguir os Acontecimentos e Amor fati

(7) Portanto, o <ser humano> bom e justo, tendo considerado em seu pensamento todas essas coisas, segue aquele que administra a totalidade, do mesmo modo que os cidadãos <seguem> a lei da cidade-Estado. (8) Aquele que se instruiu deve comportar-se a respeito da instrução com o seguinte propósito[1]: como eu poderia seguir os Deuses em todas as circunstâncias? Como eu poderia me comprazer[2] com a divina administração? E como eu poderia me tornar livre?

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O Estoico Sustentável

Por Kai Whiting

Esse artigo apareceu originalmente no jornal Eidolon. O artigo foi traduzido por Gustavo Vechin de Matos.

 

Eu sou um Estoico vegetariano. Eu também sou um entusiasta de bodybuilding que não precisa de carne para aumentar o bíceps. Eu só preciso treinar o meu corpo – e a minha mente.

Como qualquer rato de academia sabe, suplementos e carnes magras são necessários para o nosso estilo de vida. Mas após alguns anos de bodybuilding, comecei a pensar mais profundamente sobre a minha saúde e bem-estar geral. Eu expandi a visão limitada do marketing do que constitui o “fitness”. Considerei o meu impacto ambiental. Refleti sobre as questões éticas de comer tanta carne enquanto outras pessoas passavam fome. Eu não podia mais me distanciar do dever evidente que todos temos em relação aos seres conscientes que prendemos, engordamos e abatemos.

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A FILOSOFIA COMO MEIO DE EXPERIMENTAR OS ESPAÇOS DA PÓLIS:

OS EXEMPLOS DA ATENAS ANTIGA (SEC. IV – III A.C.)

 

Luiz Henrique Silva Moreira[1]

 

A imagem acima[2] reproduz os espaços que as escolas filosóficas ocuparam em Atenas durante a antiguidade. Através desta é possível visualizar as quatro principais escolas de pensamento no mundo antigo, a Academia de Platão, o Liceu de Aristóteles, o Pórtico Pintado de Zenão e o Jardim de Epicuro.

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ROMA 75 EC

Durante o banquete, na casa de Helvídio Prisco[1], Trásea Peto[2] e Musônio Rufo[3] conversavam animadamente, taças de vinho à mão. Era a terceira vigília[4], em breve o dia iria raiar, e a Aurora de róseos dedos coloriria o firmamento. O jovem Epicteto[5] já se sentava ao chão do triclínio[6], sonolento, quando um movimento de pernas femininas marmóreas e esguias cruzando a porta que dava para o peristilo[7] lhe chamou atenção.

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NICÓPOLIS ANO 130 EC

Quando cheguei à taberna, no centro de Nicópolis[1], olhei ao redor em busca de alguém que parecesse um filósofo. Sentado num canto, vi um velho de longa barba[2], sozinho, com uma caneca de barro entre as mãos. Ele olhava absorto para as garrafas atrás do balcão, enquanto, em uma mesa atrás, moças profissionais entretinham alguns veteranos como eu, sentadas em seus colos e rindo muito.

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Musônio Rufo:”Que as mulheres também devem filosofar” (Diatribe III)

 

Tradução de Aldo Dinucci[i]

 

[3.1] Quando alguém indagou se também as mulheres devem filosofar, [Musônio] começou a ensinar mais ou menos assim que elas devem filosofar:

“As mulheres receberam <da parte> dos Deuses a mesma razão que os homens, razão que usamos uns com os outros e segundo a qual julgamos, acerca de cada coisa, [3.5] se é boa ou má, e <se> é certa ou errada.

Semelhantemente também o feminino possui os mesmos sentidos que o masculino: visão, audição, olfato e os demais. Semelhantemente também pertencem a cada um as mesmas partes do corpo, e nada em maior número possuem um mais que o outro.

Ainda, o desejo natural pela virtude[1]não corre somente nos homens, mas também nas mulheres[2]. [3.10] Pois elas não menos que os homens são naturalmente dispostas para se satisfazer com ações corretas e justas e rejeitar as contrárias dessas.

Assim sendo, por que, então, caberia aos homens buscar e investigar como viverão corretamente, que é o filosofar, mas às mulheres não?

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A Superação dos Medos em Epicteto

Escrevo este texto em diálogo com João Leite Ribeiro, notadamente sobre o que nosso nobre estoico diz no texto intitulado Sócrates, a lógica e o estoicismo , publicado recentemente neste blog.

Em Epicteto, o termo grego andreia (coragem, em grego) ocorre, nas Diatribes, apenas quatro vezes, e nenhuma vez no Manual[1]. De fato, as virtudes enfatizadas por Epicteto diferem da taxonomia estoica ortodoxa das virtudes, que tem como principais as virtudes cardeais tradicionais do pensamento grego: sabedoria ou prudência (phonesis), coragem (andreia), justiça (dikaiosyne) e  temperança (sophrosyne). Não nos deteremos aqui em investigar a razão disso, mas antes a natureza dessas virtudes em Epicteto.

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