As meditações diárias, 1: A meditação matinal ou prospectiva

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Exercício matinal: os pitagóricos saúdam a aurora em tela de Fiódor Bronnikov (1827-1902) (fonte da foto)

 

Nota: Este artigo tem por objetivo citar e discutir com alguma minúcia as passagens dos escritos estoicos (e de outras escolas) em que se fala da meditação que abria o dia de um prokópton. Por tal motivo, a parte teórica e histórica deste texto tem uma extensão razoável. Aos que desejem um tratamento mais imediato do tema, peço irem diretamente à seção “Resumo prático”. Foram fundamentais para mim a seleção de citações do Daily Stoic e a do Stoic Journey, além do capítulo “O exame de consciência entre os antigos”, da obra Estudos morais sobre a Antiguidade, de B.-C. Martha.

TEORIA E HISTÓRIA

A prática da meditação matinal ou prospectiva, na qual o aspirante à sabedoria se preparava para o dia que principiava teve sua origem, ao que parece, no pitagorismo. Jâmblico (ca. 245-325), filósofo neoplatônico, observa que os discípulos de Pitágoras faziam caminhadas solitárias pela manhã, indo a lugares ermos e sagrados para seus exercícios de contemplação. Eles não consideravam aconselhável entrar em contato com outros indivíduos antes de seus instantes de recolhimento matutino (cf. Vida de Pitágoras, XXI). Em outro ponto da mesma obra, Jâmblico anota o seguinte:

Eles [os pitagóricos] tinham de acordar antes do nascer do sol… Tinham de adorar o sol nascente. Pitágoras ordenava-lhes que nada fizessem sem deliberação ou discussão prévias — planejando, pela manhã, o que seria feito mais tarde e revisitando, à noite, as ações do dia, o que servia ao duplo propósito de fortalecer a memória e avaliar a conduta. (Vida de Pitágoras, XXXV)

A contemplação dos astros, em sua exuberância misteriosa, em sua aparente eternidade, em seu movimento perfeitamente invariável, inspirava aos pitagóricos noções como as de constância e ordem — qualidades que o ser humano deve cultivar dentro de si, conforme os exemplos dados pela natureza. Marco Aurélio exprime seu entusiasmo por essa particularidade da rotina dos seguidores de Pitágoras:

Olhe, diziam os pitagóricos, para o céu desde o amanhecer a fim de que nos rememoremos dos entes que cumprem suas ações sempre da mesma maneira — de sua ordem, de sua pureza, de sua nudez: pois não há véu nenhum a encobrir um astro. (Meditações, XI, 27)

Pensando agora propriamente nas meditações matinais dos estoicos, há que destacar as cinco passagens do livro do imperador-filósofo que tratam do tema. A primeira, já citada quando se tratou da antecipação de contrariedades, centra sua atenção na possibilidade de que venhamos a encontrar personalidades irritantes ao longo do dia que começa. Estando preparados para tais encontros, superaremos a ira e a rejeição (tò aganákteîn kaì apostréphesthai, literalmente: o irritar-se e o rejeitar), reconhecendo nosso dever de cooperar com aqueles a nosso redor, os quais cumprem conosco uma série de tarefas em comum em nossa aventura humana. O prokópton deve manter-se firme na convicção de que, quaisquer que sejam as situações adversas criadas por outrem, nenhuma delas pode contagiá-lo interiormente sem a permissão dele. Com a palavra, Marco Aurélio:

Ao amanhecer, diga a si mesmo: hoje me depararei com um indiscreto, um ingrato, um insolente, um desleal, um invejoso, um antissocial. Tudo isso lhes sucede por sua ignorância do bem e do mal. Mas eu, que vi a natureza do bem, que é o certo, e a do mal, que é o errado, e a da pessoa que comete a falta, que é afim à minha, partícipe não do mesmo sangue ou semente, mas da mesma mente e da mesma partícula divina, não posso sofrer danos de nenhum deles porque nenhum me infectará com seu erro. Nem posso indispor-me com um semelhante ou odiá-lo, porque nascemos para uma tarefa comum, como os pés, como as mãos, como as pálpebras, como os maxilares superior e inferior. De modo que obrar uns contra os outros vai contra a natureza: e oposição são a ira e a rejeição. (idem, II, 1)

Em outra de suas notas, Marco Aurélio propõe um pensamento a ser tido em mente quando relutamos para nos levantar da cama e levar a efeito nossos deveres. O dia que se inicia impõe a todos os seres viventes uma série de trabalhos, aos quais nenhum deles pode se furtar. Evocando exemplos dos mundos vegetal e animal, desfazem-se as névoas da preguiça daquele que permanece mais do que o necessário no leito: nem o menor dos insetos pode deixar de cumprir seu papel na totalidade orgânica da natureza. Além disso, o sujeito que se interessa pela virtude tem de medir-se com os que são orientados para outros fins, sendo tão cioso e determinado no cumprimento de seu papel social quanto os avarentos são apegados a seu dinheiro ou os vaidosos a sua glória passageira. Até do vício podemos retirar lições: os viciosos são em geral mais obstinados que aqueles que se apegam à virtude!

Ao raiar do dia, quando você sentir preguiça de levantar-se, tenha esta reflexão em mente: “Levanto-me para cumprir meu ofício de ser humano”. Acaso devo ocupar-me de má vontade das coisas para as quais nasci e para o benefício das quais vim a este mundo? Ou terei sido criado para isto: permanecer sob os lençóis, no doce calor do leito? — Mas é mais agradável ficar assim, dirá você. — Então você foi criado para o prazer? Numa palavra, pois, pergunto-lhe: para ser passivo ou para agir? Não vê como as plantas, os pássaros, as formigas, as aranhas, as abelhas entregam-se a seus trabalhos e contribuem, cada qual de sua parte, para a harmonia do universo? E você se nega a fazer seus deveres de ser humano? Não foge ao que a natureza lhe prescreve? — Mas é necessário também descansar, dirá você. — Não há dúvida. Contudo, a natureza pôs limites a tal necessidade, como também ao comer e ao beber. Você, porém, ultrapassa esses limites e vai além do que é suficiente; enquanto isso, nas obras não age assim, e não faz nem sequer o necessário.

E isto pois que não ama a si mesmo, senão faria de bom grado o que sua natureza lhe ordena. Os artistas que amam sua arte consomem-se inteiramente na obra, chegam a privar-se de banho e alimento. Você, porém, não faz tanto caso de sua natureza própria quanto o cinzelador de sua indústria, o dançarino de sua dança, o avarento de suas riquezas, o pretensioso de seu pequeno aplauso. Quando estes se interessam por algo, não pensam nem em comer nem em dormir, mas sim em ir atrás do que lhes desperta a paixão. E você dá menos importância aos atos úteis à sociedade e dedica a eles menos atenção? (ibidem, V, 1)

Notemos a belíssima expressão “ofício de ser humano” (anthrōpou érgon): o que é pensar, trabalhar e viver como um verdadeiro homem? Quão enobrecedor pode ser ter em mente semelhante reflexão a cada dia que se inicia? Como alguém pode incorrer em ações vis quando entende seu papel no “grande esquema das coisas”?

Reflexão semelhante é adotada na passagem a seguir, também destinada a remediar a relutância em acordar e em levar a termo as ações que testemunham nossa solidariedade para com o corpo social. Marco Aurélio pensava em sua própria natureza — e nos deveres que ela impõe, segundo os preceitos estoicos — para sentir-se encorajado a cumprir seu papel a cada dia.

Quando você tiver dificuldade para despertar, lembre-se de que está em conformidade com sua constituição e com a natureza humana cumprir atos de cunho social. O sono, ao contrário, é traço comum com os animais irracionais. Porém, o que está de acordo com a natureza de cada indivíduo também é aquilo que lhe é mais próprio, mais natural e, por conseguinte, mais agradável. (ibidem, VIII, 12)

Atividades como despertar, pôr-se de pé e iniciar uma rotina, por simples que pareçam, não são meras respostas instintivas a estímulos, não resultam unicamente de um chamado interior à sobrevivência: envolvem o reconhecimento de nossa importância — que pode ser reduzida, mas indubitavelmente existente — frente à comunidade de seres humanos que nos cercam. Quando nossas tendências irracionais parecem fortes demais, há que ter no espírito a ideia de que cada um de nós cumpre uma série de papéis e tem responsabilidades na manutenção de uma certa harmonia entre humanos. Ficar sob as cobertas nos proporciona prazeres, mas nossa natureza racional e social, pela qual nos realizamos verdadeiramente, pede outras coisas. O trecho termina com a enumeração de três adjetivos em grau comparativo e quase redundantes, deixando claro que seguir a natureza humana tem compensações interiores que estão acima das necessidades básicas. Com efeito, quando nos comprometemos com o que a natureza nos dita, fincamos pé naquilo que nos é “próprio” (oikeîos, i. e., o que é como uma extensão de nós mesmos, algo familiar, inerente, adequado), “natural” (prosphuḗs, i. e., algo ligado a nós por natureza, naturalmente pertencente e, portanto, fácil) e “agradável” (prosēnḗs, i. e., agradável, suave). Há prazer na disciplina e no cumprimento de seus deveres — e um prazer de tipo superior.

O restabelecimento de nosso estado de vigília também pode ensejar uma meditação que nos dá a medida mais clara daquilo por que iremos passar:

Recobre os sentidos e volte a si. Quando você acordar, quando tiver percebido que eram apenas sonhos que lhe causavam perturbação, então, de olhos abertos, olhe para as coisas (a seu redor) como você acabou de olhar para aquelas (as dos sonhos). (ibidem, VI, 31)

Trocando em miúdos: ver a vida como um sonho que passa, com um distanciamento que nos permita tomar a posse de nós mesmos, não nos confundindo com o turbilhão das coisas transitórias. La vida es sueño — a um só tempo sono e sonho —, disse o dramaturgo espanhol Pedro Calderón de la Barca (1600-1681). É da natureza das coisas mudar; está a nosso alcance não variar o modo como vemos as coisas. Tomar a realidade como o prolongamento de um sonho pode nos tornar menos suscetíveis aos tumultos da vida. Um dia todos os sonhos — o contínuo da realidade e os breves, incidentais — acabam.

Por fim, outro pensamento que o imperador-filósofo julga importante ter sempre à mão:

A si mesmo pergunte, tão logo recobrado do sono: Fará alguma diferença para mim que as ações justas e boas sejam feitas por outra pessoa que não eu? Nenhuma. Quanto àqueles que têm a arrogância de louvar ou censurar os demais, você se esqueceu do que são eles na cama, do que são à mesa, do que fazem, daquilo a que fogem e tendem, do que roubam, do que eles pilham, não com as mãos ou os pés, mas fazendo uso da parte mais preciosa de si mesmos — daquela donde vêm, quando um homem assim o quer, a boa-fé, a modéstia, a verdade, a lei, um bom Gênio? (ibidem, X, 13)

O trecho acima põe em evidência dois fatos: (a) qualquer indivíduo é capaz de praticar ações virtuosas (afinal, é algo próprio do ser humano), tornando-se um agente de justiça no mundo e (b) os que emitem juízos sobre os outros têm não raro um comportamento vicioso, sendo exemplares muito particulares de hipocrisia. Marco Aurélio exorta si mesmo a manter-se o mais isento possível de julgamentos sobre as ações de outras pessoas: quando alguém age com excelência de caráter, o prokópton não deve invejá-lo, mas perceber que boas ações são sempre proveitosas, independentemente de quem as pratica; quando vê pessoas pontificando sobre os demais, o aspirante à sabedoria deve lembrar que atenção a si mesmo é o que há de mais importante. Não destruir dentro de si o que possa haver de bom deve preocupar-nos bem mais do que as atitudes de outrem.

Também Epicteto faz referência ao exercício pitagórico, incorporado pelos estoicos, da meditação matinal. Por efeito de comparação satírica, ele menciona a prática prospectiva a que se lançaria um indivíduo que se importasse com ganhar o favor dos outros. Suas preocupações voltam-se unicamente ao que é exterior:

Esse homem se levanta pela manhã e procura alguém a quem dirigir uma saudação ao sair de casa, alguém a quem dizer uma coisa amável, alguém a quem enviar um presente, um modo agradar ao dançarino, um modo de, agindo mal com uma pessoa, ganhar as boas graças de outra. Quando ele faz uma prece, é esse o objetivo de suas preces. Quando ele oferece um sacrifício, é por isso que ele o faz. (Diatribes, IV, 6: 31-32)

O aspirante à sabedoria, contudo, tem de ter outras coisas em mente ao iniciar o seu dia, estando voltado aos “encargos nossos” (tà eph’hēmîn), àquilo que verdadeiramente depende de nós eticamente falando. O uso correto das representações (e toda a disciplina interior que o acompanha) é a meta a que deve tender aquele que aspira à sabedoria.

Mas quanto a você, se você não se importa com nada a não ser usar as representações de modo apropriado, pela manhã, tão logo esteja desperto, pergunte-se: O que me cabe fazer do ponto de vista da impassibilidade, do ponto de vista da ataraxia? O que sou? Sou eu um pobre corpo? Uma propriedade? Uma reputação? Não sou nada disso. Então o que sou? Um ser racional. O que se exige, pois, de um ser assim? (idem, 34)  

RESUMO PRÁTICO

Recapitulando o que ficou dito acima, para começar o dia como um estoico, é necessário exercitar-se nos seguintes pontos:

• compreender-se como parte consciente do cosmos, tomando os elementos que o constituem como modelos de pureza, harmonia e constância (Med., XI, 27) → questões: onde me situo? o que sou chamado a testemunhar a cada dia? —;

• ter como prioridade a conquista da tranquilidade interior, deixando claro a si mesmo que um ser racional não se confunde com o que o cerca (Dia., IV, 6: 34) → questões: o que sou? o que tenho de fazer para merecer a ataraxia? —;

• encarar a realidade como uma instância da qual é possível de algum modo distanciar-se, reservando um espaço de paz dentro de si e não se deixando enganar pelas aparências, que são como elementos de um sonho (Med., VI, 31) → questões: por que não me confundo com o que me é exterior? se as coisas mudam, como ser constante? —;

• trazer à mente a noção de que temos uma natureza que se realiza por uma vida ativa, pela qual cumprimos os diversos papéis que assumimos perante os outros e nos tornamos úteis à sociedade (Med., V, 1; VIII, 12) → questões: o que farei hoje? por que a minha atuação é importante? o que é o “ofício de ser humano”? —;

• entender que a vida em sociedade impõe uma série de relações e encontros pouco agradáveis, para os quais devemos nos preparar, sob pena de incorrermos em animosidade (Med., II, 1) → questões: o que impõe minha natureza racional e social? por que é injusto deixar de colaborar com os outros? —;

• procurar manter-se isento de juízos quanto à conduta dos outros, reconhecendo a virtude pelo que é: uma finalidade nobre ao encontro da qual o homem vai, não um acessório ou penduricalho feito para ser exibido e admirado (Med., X, 13) → questões: por que o que os outros fazem só tem importância relativa? por que não devo invejar alguém que seja justo? —.

 

 

2 comentários sobre “As meditações diárias, 1: A meditação matinal ou prospectiva

  1. Boa tarde, tem uma parte do livro de Sêneca: Da Brevidade da Vida –> ” O discurso da verdade é simples”. Assim , não e preciso complica-la, pois nada convém menos a um espírito que tem grandes aspirações que essa astúcia, não consegui entender, tem como você me esclarecer oque passa nessa passagem ?? Grato.

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    • Olá, Gabriel.

      Na verdade, esse trecho não pertence ao tratado/diálogo Da brevidade da vida, endereçado a Paulino, cunhado de Sêneca, mas sim à Carta XLIX, das Cartas a Lucílio. O que acontece é que as tradutoras da edição da L&PM, Lúcia Sá Rabello e Ellen Neves Vranas, decidiram dar o título “Da brevidade da vida” à epístola em questão, mas devemos tomar cuidado para não confundir as coisas: é só o título dessa carta, sem relação com a outra obra. O que você citou, aliás, é o desfecho da carta de que falamos, de modo que é necessário dar uma conferida no contexto para entender o que Sêneca está dizendo para seu interlocutor, Lucílio.

      A carta gira em torno da questão da fugacidade da vida (óbvio): Sêneca relata ter-se encontrado com Lucílio pouco tempo antes (não se sabe se faz pouco tempo mesmo ou se é um modo de dizer do autor) e passa a fazer uma série de considerações acerca da passagem dos dias e dos anos. Diz que a morte está sempre por perto, sempre à mão, de maneira que não devemos perder tempo com coisas supérfluas. Dentre tais coisas supérfluas, ele chama a atenção para certas leituras que nos fazem desperdiçar um tempo precioso: a das obras dos dialéticos (os lógicos) e a dos líricos (os poetas). São livros que contêm certa complexidade, que encantam pela linguagem rebuscada ou embelezada, mas que têm pouco a oferecer, na visão de Sêneca, em termos de verdade para a vida. Não ajudam a viver propriamente, sendo lícito apenas darmos “uma olhada” nessas coisas, sem nos aprofundarmos nisso. Nos parágrafos seguintes, Sêneca se lança uma condenação desses modos de dizer complexos e sutis, mostrando como se pode chegar a absurdidades por amor ao que é pretensamente difícil. “Tudo o que não perdeste tu tens; como não perdeste os cornos, logo, tu tens cornos” — é uma fórmula falaciosa citada por ele como exemplo de afetação erudita. Falar difícil e com efeitos surpreendentes nada tem a ver, claro, com filosofia.

      Assim, no último parágrafo da carta, correspondente àquilo que você transcreveu, Sêneca diz a Lucílio que entre os dois deve haver um tipo de relacionamento em que reine uma franqueza absoluta, em que ambos sejam capazes de falar um ao outro com simplicidade e veracidade. Sendo os dois “espíritos com grandes aspirações”, devem evitar os modos de falar rebuscados, as astúcias pelas quais os indivíduos se escondem atrás das complicações da linguagem. A verdade se enuncia de maneira clara e cristalina, sem maneirismos, sem afetações, sem sutilezas desnecessárias — e pode ser compreendida por quem tiver um intelecto também límpido (ou ao menos desejoso de coisas límpidas). Sêneca e Lucílio discutirão, sim, as grandes questões, mas sem criar dificuldades desnecessárias.

      Espero tê-lo ajudado.

      Abraço e fique bem.

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