Meu pedido de desculpas

Por Donato Ferrara

Gostaria de oferecer um pedido público de desculpas ao Aldo, ao João, à Vanessa, ao Joelson e a outros membros do GT Epicteto pelo modo rude e destrambelhado como expressei uma diferença de ponto de vista que certamente deveria ter sido colocada de maneira bem mais cautelosa e amigável.

Aliás, uma diferença de ponto de vista que nem mesmo é das mais claras para mim, apesar de continuar não me considerando um estoico, mas alguém particularmente interessado nessa filosofia.

Não houve, da minha parte, sensibilidade de perceber que o assunto envolvia bem mais do que me pareceu à primeira e apressada vista. Posso dar testemunho da seriedade e da integridade das pessoas envolvidas nesse futuro projeto de resgate dos ensinamentos dos estoicos — e, por algum motivo, sabe-se lá por que desvãos de viagem egoica, esta constatação não me pareceu o suficiente no momento em que redigi o texto. Acabei fazendo um ataque precipitado e injusto a uma iniciativa que é legítima e promissora.

Por isso, já retirei do ar os textos da controvérsia que causei.

Como ponto positivo, meu texto, ruim como foi, ensejou um bom exercício de esclarecimento de ponto de vista por parte do Aldo e dos outros, que pode ser lido aqui.

Sinceramente,
D.

Mais textos no Medium

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Tudo passa e nada se detém (fonte da foto)

Por Donato Ferrara

Eis as últimas coisas que andei publicando por lá:

O QUE OS BRASILEIROS PODERIAM APRENDER COM OS ESTOICOS ROMANOS, (07/05/2020);

BOM DIA, DISTOPIA, (22/05/2020);

100 MIL MORTES — MAS “VAMOS TOCAR A VIDA”!, (08/08/2020);

FALANDO DE COISAS DIFÍCEIS A UMA CRIANÇA, (17/08/2020).

Abraços a distância!

D.

Notas estoicas, 6: Não há felicidade certa nas coisas incertas

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Que espécie de contentamento poderemos tirar de coisas passageiras? (fonte da foto)

Por Donato Ferrara

Será a ruína do espírito andarmos ansiosos pelo futuro, desgraçados antes da desgraça, sempre na angústia de não saber se tudo o que nos dá satisfação nos acompanhará até ao último dia; assim, nunca conseguiremos repouso e, na expectativa do que há de vir, deixaremos de aproveitar o presente. Situam-se, de fato, ao mesmo nível a dor por algo perdido e o receio de o perder. (Sêneca, Cartas a Lucílio, XCVIII, 6; trad. J. A. Segurado e Campos)

No meio de uma situação alegre, qualquer pessoa dotada de consciência já deve ter surpreendido em si um pensamento mais ou menos assim: e quando tudo isto terminar? e quando todas estas pessoas se forem? Ou: por quanto tempo mais terei ao meu lado tais coisas?

Por que às vezes nos torturarmos com a transitoriedade de nossa própria alegria, ao invés de aproveitá-la gota a gota, é talvez um mistério. Não menos misterioso é não termos igual clarividência quando nos defrontamos com situações difíceis. Pois estas, como todas as outras, passam: e isso deveria nos tranquilizar — ao menos no caso de tristezas.

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A Peste Antonina e a morte de Marco Aurélio segundo Frank McLynn

Aldo Dinucci

O texto que segue é uma síntese do que nos ensina Frank McLynn em seu livro Marcus Aurelius, warrior, philosopher, emperor (publicado pela Vintage (UK), em 2010), no que se refere à Peste Antonina, que se abateu durante seu reino, e à morte de Marco Aurélio em decorrência dessa mesma epidemia.

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RELATOS ACERCA DO ESTOICISMO EPICTETIANO

Por Renato Pereira Diniz (Músico. BH)

Das coisas existentes, algumas são encargos nossos, outras não.” (ENCH.1.1)

  Sempre tive, desde há muito tempo, uma peculiar admiração pela filosofia estoica, sobretudo por Epicteto, mas nunca havia tido a oportunidade de ler e/ou estudar a filosofia epictetiana a partir de fontes confiáveis. Há mais de sete anos, quis o Destino que eu, ao pesquisar na Internet sobre o tema, encontrasse esta pérola que é o Encheirídion de Epicteto – obra traduzida e comentada por Aldo Dinucci. Fiquei encantado com o conteúdo do volume e com a extrema competência, clareza e precisão do tradutor e de seus comentários. Entrei em contato com o professor, que, numa atitude altruísta e empática, enviou-me um exemplar de sua obra. A partir de então, tenho lido, estudado, memorizado, interpretando os capítulos deste inigualável livro, bem como as Diatribes, de Epicteto e escritos correlatos do professor Aldo. Conclusão: hoje digo, com cem por cento de certeza, que o estoicismo epictetiano me basta plenamente, pois é uma filosofia prática, pragmática e exequível. Tento praticá-la. Digo “tento”, porque a prática é difícil, e preciso me esforçar cotidianamente para que minhas atitudes diárias sejam tomadas de acordo com os princípios morais epictetianos. Em casa, solitariamente; em qualquer lugar, com outras pessoas ou não. O estoicismo de nosso filósofo passou a ser minha manifestação de ser, de estar e de perceber o mundo. Enfim, ocorreu uma mudança para melhor, de cento e oitenta graus, em minha vida. Estou percebendo e trabalhando os embates – fantasias = representações – que a vida me coloca (tanto os mais brandos quanto os mais duros), com mais coragem e tranquilidade.

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Heranças do Pórtico

Juliano da Silva Lira, mestrando em Letras da UFPE

Alguns estoicos remanescentes preferiram não descer do Célio ou pleitear cargos renomados, serviram a sociedade como simples preceptores, sem se atentarem a maiores legados. Escanteados pelo frenesi contemporâneo, que menospreza e devora a um mínimo sinal de imperturbabilidade, viveram sabiamente às margens de um sistema enfermo, advento da Modernidade.  

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A OPINIÃO SOBRE O BOLO Górgias de Leontinos, Epicteto e Galeno dialogam acerca da opinião

Por Marcus Resende*

           

Tudo aconteceu em uma pequena cidade do interior de São Paulo, onde uma mulher foi assassinada na frente dos filhos. Logo surgiram as notícias nos veículos de comunicação digital estampando em suas manchetes que a mulher havia sido morta a tiros após briga por levar bolo e não salgado à festa. É uma notícia tão estranha e fora do comum que não tem como evitar perguntar como isso é possível, certo? Como uma pessoa pode ser morta por não ter levado à festa o prato combinado? Certamente essa foi a pergunta de muitos leitores que se depararam com a inusitada manchete. Três dias depois do estranho anúncio, os mesmos veículos de comunicação publicaram que havia uma nova versão para o crime. Uma testemunha não identificada afirmou que o assassino estava discutindo com a esposa quando a vítima ofereceu um pedaço de bolo à mulher envolvida na discussão, o que gerou um descontentamento do agressor, que iniciou uma nova discussão com a vítima até assassiná-la com três tiros. Será que estamos falando da mesma história? Embora o bolo faça parte do enredo nas duas versões, na primeira ele é o motivo principal do crime, segundo a polícia, enquanto na segunda, apresentada por testemunha anônima, o bolo perde toda sua importância, visto que a vítima poderia ter interrompido a discussão do casal por qualquer outro motivo.

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ENTRE CREPÚSCULOS E AURORAS

Carlos Enéas Moraes Lins da Silva

(Mestrando em Filosofia UFF)

Eu só queria nesse preciso segundo caminhar belamente sobre as águas, num santificado momento de tranquilidade e ausência de agitação, mínimas ondas a blasfemar o solo sagrado, beijando com pressa a areia e revolvendo-se temerariamente. Eu só queria andar como um deus, negar de tudo o todo e reconhecer em mim a majestosa imperturbabilidade. Mas sucumbi, como um Lázaro caído, uma morte num instante. Para andar como um deus entre os homens é preciso mais que entrega, uma verdadeira morte. É com sangue que se paga a santidade, é com sangue que se paga a excelência, não adianta, é sangue derramado nos vastos campos elísios do Érebo, é morte gloriosa, nada além.

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Reflexões de Musônio Rufo sobre o Casamento

Do destacado filósofo romano Musônio Rufo, que em vida foi equiparado a Sócrates, pouco nos chegou. Mas esse pouco, suas diatribes, contém uma série de reflexões cruciais para a compreensão da verdadeira dimensão do estoicismo romano.

Comentarei aqui brevemente a diatribe 13A, que trata do casamento.

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